Vida sem Glúten, é possível?

Nos últimos tempos muito se ouve falar sobre os malefícios do glúten, mas o que tenho percebido em minhas conversas por aí, é que muita gente o ingere de forma automática, quase que por osmose, sem saber. Por que isso acontece? Simplesmente porque o trigo (principal fonte de glúten) está presente em quase todos os produtos industrializados que consumimos no dia-a-dia.

Bread group

Para falar um pouco mais, com propriedade sobre o assunto, fiz algumas perguntas para a Heloisa Scattini (nutricionista clínica) que colabora aqui no blog nos ajudando com as dúvidas sobre Nutrição e Saúde. Acompanhe abaixo a mini-entrevista:

TodaBeleza: Mas afinal, o que é o glúten?

Heloisa Scattini: É uma proteína encontrada no trigo, no centeio, na cevada e na aveia (na última apenas por contaminação durante o processamento). A função do glúten é dar elasticidade à massas e está bastante presente na alimentação, nos pães, bolos e biscoitos entre outros.

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TodaBeleza: Quais são seus efeitos no organismo?

Heloísa: Por ser uma proteína, algumas pessoas são portadoras de alergia ao glúten, como no caso da doença celíaca. Esta doença pode ser diagnosticada pelo médico ou nutricionista através de exames laboratoriais e de avaliação de lesões no intestino. Os sintomas mais comuns na doença celíaca são: perda de peso, distensão abdominal, constipação intestinal e/ou diarreia (podem se alternar), anemia, fezes com sangue ou com gorduras, dores articulares, osteoporose, unhas enfraquecidas, alterações na tireóide, deficiência de vitaminas e minerais e até mesmo a depressão.

TodaBeleza: Tenho visto em algumas matérias, que muita gente está restringindo a ingestão do glúten, mesmo não tendo a doença celíaca? Isso ajuda realmente a perder peso, desinchar?

Heloísa: O que ocorre é que muitas pessoas desenvolvem uma hipersensibilidade alimentar ao decorrer da vida, devido o consumo frequente de proteínas que são mal digeridas pelo nosso organismo, gerando um processo inflamatório. Uma dessas proteínas é o glúten. Hoje a farinha de trigo contém um teor de glúten muito superior ao de 50, 100 anos atrás e além disso a população consome o dobro de farinha consumido também nesta época. E é isso que sobrecarrega o organismo: o excesso e a frequência.
E aí os mesmos sintomas citados acima que são características da doença celíaca, podem surgir em qualquer pessoa, isolados ou alternadamente, e associado ainda a obesidade, já que é considerada uma doença inflamatória, sem necessariamente um diagnóstico de laboratório. O exame clínico é o mais valioso! É importante consultar um nutricionista que irá indicar se a dieta é ou não indicada a cada pessoa.

Vale lembrar que no caso da hipersensibilidade, o glúten não é proibido como na doença celíaca. Seu consumo vai variar de acordo com o sintoma e deverá ser orientado por profissional capacitado.

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TodaBeleza: Quais alimentos são totalmente livres de glúten?

Heloisa: Todas as verduras e legumes, feijões, milho, batata, mandioca, goma de tapioca, arroz, carnes, aves e peixes são isentos de glúten. Além das castanhas, nozes e frutas secas. As farinhas “alternativas” para substituir a farinha de trigo no preparo de alimentos, são a farinha de arroz, amido de milho, polvilho doce e azedo, farinha de coco e farinha de araruta.

Neste link encontrei uma entrevista bem completa que conta sobre as mudanças relacionadas ao trigo nas últimas décadas e que, segundo o Dr. Willian Davis (cardiologista, estudioso do trigo) foi o que desencadeou uma série de malefícios com relação ao glúten na alimentação atual. Vale a leitura!

RECEITAS DE FARINHAS PARA SUBSTITUIR A FARINHA DE TRIGO

(Utilizar a mesma quantidade de farinha usada nas receitas tradicionais)

FARINHA PREPARADA I

• 1 kg de creme de arroz
• 330g de fécula de batata
• 165 g de araruta

FARINHA PREPARADA II

• 3 xíc de creme de arroz
• 1 xíc de fécula de batata
• 1/2 xíc de polvilho doce

FARINHA PREPARADA III

• 2 xíc de creme de arroz
• 3/4 xíc de fécula de batata
• 1/4 xíc de polvilho doce
Segue aqui os dados de contato da Helo:

Heloisa Scattini
Nutricionista Funcional
+55 11 98338-6309

 

Eu, Paula, iniciei a dieta de restrição do glúten há cerca de 2 meses e meio (meio que para testar) e posso dizer que pra mim tem dado resultado. Combinado com atividade física e ingestão de água, consegui eliminar 7 kgs em 2 meses e estou bem satisfeita. Você pode estar pensando: mas para eliminar o glúten, vou ter que deixar de comer todas as coisas que gosto? Se você estiver se referindo a todas as coisas prontas que é só comprar no mercado, a resposta é sim! Mas com um pouco de boa vontade para cozinhar, é possível adaptar todas as receitas utilizando essa mistura de farinhas citadas acima e muitas outras que pretendo postar aqui, a medida que eu for testando.

Com força de vontade e perseverança a gente consegue alcançar nossos objetivos, mas para tudo isso é preciso dar o primeiro passo! #ficaadica

E vocês, o que acham da dieta de restrição do glúten?

8 thoughts on “Vida sem Glúten, é possível?

  • setembro 5, 2013 em 3:58 pm
    Permalink

    Muito bacana a matéria. Ainda mais por ser endossada por uma profissional da área, bastante esclarecedor. Gostei.
    Abs

    Resposta
  • setembro 6, 2013 em 2:35 am
    Permalink

    Tenho 37 anos e já percebi que não da mais para comer de tudo como antes rsrs.
    Me chamou atenção a informação de que podemos desenvolver “uma hipersensibilidade alimentar ao decorrer da vida” justamente por se tratar de algo “mal digerido pelo nosso organismo” como cita a nutricionista.
    De imediato não conseguirei eliminar o tão presente glúten, mas certamente irei procurar evitar.

    Parabéns pelo post. Esclarecedor!
    Beijo

    Resposta
    • setembro 6, 2013 em 12:19 pm
      Permalink

      De cara todo mundo pensa que não é nada demais, mas estudando mais a fundo e trazendo para os nossos hábitos alimentares, a gente acaba comprovando isso. Boa sorte na tentativa, se precisar de um “apoio moral”, conte comigo!
      Bjs

      Resposta
  • setembro 17, 2013 em 12:00 pm
    Permalink

    Oi amiga! Thanks pela matéria esclarecedora, já que você só fala na tal restrição ao glúten, rsrs! Fiquei surpresa por ser uma proteína! E também fiquei curiosa para saber como é o tal creme de arroz que pode ser utilizado na substituição. Quem sabe eu tomo coragem? Ainda bem que pão de queijo tá liberado, rs! Bjs, Tati D.

    Resposta
  • setembro 24, 2013 em 3:44 pm
    Permalink

    É, Tati! Se vc não se animar com mais nada, pode comer pão de queijo no café da manhã, almoço e jantar! rs
    Tomara que se anime, ficarei torcendo 😉
    Bjs

    Resposta
  • Pingback: Pão de queijo sem queijo | Blog Super Descolada

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